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Livro traz cartas de admiração por uma “artista da educação” – Jornal da USP

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“A Pedagogia da Paixão de Madalena Freire” homenageia a educadora através de 18 textos de mulheres que foram inspiradas por sua obra

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Capa de A Pedagogia da Paixão de Madalena Freire: Registros de Encontros, Diálogos e Parcerias, livro recém-lançado organizado pela professora da Faculdade de Educação da USP Teresa Cristina Rego – Fotomontagem: Jornal da USP/Imagens: Divulgação/Paz e Terra, Vectonauta/Freepik e Reprodução/Artigo de Madalena Freire e Sylvia Leser de Mello

 

Em 1986, Tom-Tom era uma criança agitada e agressiva que frequentava uma pré-escola na Vila Helena, em Carapicuíba, na Grande São Paulo. A maneira como ele foi acolhido e integrado na vida da sala de aula, em vez de punido e isolado, é uma das histórias exaltadas com carinho no recém-lançado livro A Pedagogia da Paixão de Madalena Freire: Registros de Encontros, Diálogos e Parcerias, organizado pela professora Teresa Cristina Rego, da Faculdade de Educação da USP.

Madalena Freire nasceu em Recife, em 1946. Formou-se no magistério e depois na Faculdade de Educação da USP. A educadora é uma das três filhas do educador pernambucano Paulo Freire (1921-1997), que ela acompanhou em experiências de alfabetização no Nordeste na década de 1960. Em sua trajetória, Madalena revolucionou a educação infantil com a introdução de práticas que retiram as crianças da posição de receptoras passivas de conhecimento e promovem sua participação no processo de aprendizagem.

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A educadora Madalena Freire – Foto: Reprodução/Mídia Ninja via Flickr

 

O livro pretende ser uma homenagem em vida para a educadora. A obra é composta de 18 artigos – ou “cartas”, como são chamados no livro – de mulheres da área educacional que conheceram, estudaram e admiram Madá, como é chamada carinhosamente pelas autoras dos textos. A presença exclusivamente feminina de articulistas ocorre por uma característica da educação infantil, como explica Teresa Cristina Rego na introdução do livro: “Os homens não costumam participar do debate e da atuação nesse campo”.

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Posted: 17/09/2021

Ainda na introdução, a organizadora justifica a escolha do formato de cartas por se assemelharem ao estilo afetuoso da escrita de Madalena e permitir às autoras o registro de memórias. As cartas estão divididas em duas partes: as dez primeiras tratam do trabalho de Madá na educação infantil e as nove seguintes, de sua atuação na formação docente.

A valorização da criatividade, da dúvida e da livre expressão das crianças é uma das marcas do trabalho da “artista da educação”, como Anete Abramowicz, professora da Faculdade de Educação da USP, se refere a Madalena. Em muitas das cartas, há a menção à educadora como uma figura que transformou os percursos profissionais e pessoais das autoras com seu rigor intelectual, sua ternura no ensino e suas provocações.

No bairro paulistano da Vila Madalena, em 1980, a educadora ajudou a fundar a Escola da Vila, marcada pela prática pedagógica progressista e alternativa. A instituição foi formada por antigos profissionais da Escola Criarte, no mesmo bairro, onde Madalena desenvolveu projetos de arte-educação e alfabetização, entendidas como o aprendizado da leitura de si, do outro e do mundo, além da palavra.

A carta de Rosa Iavelberg, Os Guardados do Coração, é escrita a partir de suas memórias com Madá nas duas instituições de ensino. Rosa, também professora da Faculdade de Educação da USP, descreve a prática alternativa da Criarte, que oferecia aulas de música, horta, cozinha e jogo dramático, e relata como a Escola da Vila se tornou um parâmetro de ensino.

A Paixão de Conhecer o Mundo, de 1983, obra clássica de Madalena Freire, é referência na área da educação infantil – Imagem: Divulgação/Paz e Terra

Da atuação de Madalena na Escola da Vila nasceu o livro A Paixão de Conhecer o Mundo, publicado em 1983, que aparece como um símbolo na vida das autoras das cartas e até mesmo na de suas famílias. Na carta As Crianças Precisam de Nós, Monique Deheinzelin conta que seu filho João, ex-aluno de Madá, ainda guarda um exemplar do livro onde está a história “A Briga do João e da Tula”, que aborda um episódio ocorrido com ele quando era aluno da escola infantil.

As relações intergeracionais são comuns a outros relatos. Na carta Salve, Salve, Madá, a Professora Emérita da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP Ana Mae Barbosa relata como a educação costura sua família à da educadora. Ana Mae foi aluna de Paulo Freire e Madalena, sua aluna. Já Ana Amália, filha da autora da carta, foi aluna de Madá e, posteriormente, professora de Carolina, caçula da homenageada.

Por outro lado, há relatos de quem nunca sequer encontrou Madalena, como Maria Letícia Nascimento, que conheceu o trabalho de Madalena quando estudava na Faculdade de Educação da USP, nos anos 1970. A autora trabalha atualmente com a formação de professores para a educação infantil naquela mesma faculdade e relata ter sido muito impactada pelo pensamento de Madá, sendo que o livro A Paixão de Conhecer o Mundo sempre foi uma de suas principais referências.

Madalena, motivada por críticos de A Paixão de Conhecer o Mundo, que apontavam a sua prática pedagógica como possível só porque era feita em escolas particulares de classe média, fez uma experiência em um bairro periférico de São Paulo. Como resultado, em 1986 ela publicou o artigo Relatos da (Con)vivência: Crianças e Mulheres da Vila Helena nas Famílias e na Escola, em parceria com Sylvia Leser de Mello.

Nesse artigo está registrada a história de Tom-Tom e outras, em que é introduzida a novidade de criar a educação a partir do espaço e dos alunos. O relato da experiência pedagógica na Vila Helena se tornou um marco na história da educação brasileira e é lembrado nas cartas como uma das grandes realizações da educadora.

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Ilustração extraída do artigo Relatos da (Con)vivência: Crianças e Mulheres da Vila Helena nas Famíĺias e na Escola, de Madalena Freire e Sylvia Leser de Mello – Foto: Reprodução

 

A generosidade de Madalena não é menos ressaltada nas cartas que tratam de seus grupos de estudos para a formação de professores. As autoras recordam o incentivo à reflexão dos educadores, a importância da troca de experiências entre os docentes e o reconhecimento dos cadernos de registro e da escrita como instrumentos indispensáveis na sala de aula.

O que une todas as cartas é o afeto com que as autoras se dirigem a Madalena. Para todas, independente de a conhecerem pessoalmente, a educadora foi fonte de inspiração e admiração. Na última parte do livro, Madá deixa de ser narrada por outras vozes e fala por si em uma entrevista concedida à professora Teresa Cristina Rego. O diálogo aconteceu durante os eventos do centenário de Paulo Freire, ocorridos na Faculdade de Educação da USP em 2021 (a entrevista está disponível também em vídeo, que pode ser visto neste link).

A Pedagogia da Paixão de Madalena Freire: Registros de Encontros, Diálogos e Parcerias, Editora Paz e Terra, 294 páginas, R$ 59,90.

  • Estagiária sob supervisão de Roberto C. G. Castro





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