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Morre físico e educador Ennio Candotti, ícone da ciência brasileira – Jornal da USP

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Formado pelo Instituto de Física da USP em 1964, Candotti foi professor na Universidade Federal do Rio de Janeiro de 1974 a 1996 e se destacou como presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência por quatro mandatos

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Ennio Candotti era físico, educador e diretor-geral do Museu da Amazônia – Foto: Francisco Emolo/USP Imagens

O físico e educador Ennio Candotti, conhecido por sua extensa contribuição à ciência brasileira, faleceu nesta quarta-feira (6) aos 81 anos. A morte foi confirmada pelo Museu da Amazônia (Musa), instituição da qual era diretor-geral, e pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Candotti deixou um legado considerável na comunidade científica nacional.

Sua trajetória acadêmica foi marcada por uma dedicação à ciência no País. Nascido na Itália, Candotti emigrou para São Paulo ainda jovem. Formado pelo Instituto de Física (IF) da USP, em 1964, o físico foi professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) entre 1974 e 1996 e também lecionou na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).

Destacou-se ainda por sua atuação na Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, da qual foi presidente por sucessivos mandatos, deixando uma marca na história da organização. Sua liderança na SBPC incluiu a mobilização da comunidade científica durante os anos 1990 na luta pelo impeachment de um presidente acusado de corrupção.

Legado na Amazônia

A paixão de Candotti pela ciência e seu compromisso com a Amazônia eram evidentes em seu papel como diretor do Museu da Amazônia, onde desempenhou função crucial nos últimos 15 anos. Autoridades, colegas e instituições científicas lamentaram profundamente a perda de Candotti. De acordo com os especialistas, sua atuação pela preservação da biodiversidade da região será lembrada como uma herança importante para as futuras gerações de cientistas.

Em nota de pesar, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) reforçou seu compromisso com o desenvolvimento científico do país e sua dedicação incansável à causa. O presidente da SBPC e professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, Renato Janine Ribeiro, destacou nas redes sociais sua atuação política e suas contribuições na educação e divulgação científica:

“Perdemos hoje Ennio Candotti, presidente da @sbpcnet em dois períodos e nosso presidente de honra. Mais que isso: ele colocou a SBPC na linha de frente da luta pelo impeachment de Collor, e a vida toda batalhou incansavelmente pela divulgação e educação científicas. Vivia na Amazônia, sua paixão final, pela qual também lutava com denodo. Difícil acreditar que ele fosse mortal”, escreveu Janine no Instagram.

Tornando a ciência acessível

Em vídeo registrado em 27 de maio de 1993, Candotti recordou seu período como estudante de Física na USP e celebrou o retorno ao prédio do Centro Universitário MariAntonia.

No testemunho, ele destacou a relevância desse espaço em sua formação acadêmica durante os anos difíceis da ditadura, ressaltando a transformação do prédio, outrora abandonado, em um símbolo não só da superação desse período, mas também de um renascimento intelectual. Ao final do depoimento, o então presidente da SBPC realçou o desafio de transmitir esses valores aos jovens na época.

Não por acaso, um desafio que Candotti enfrentou durante toda sua carreira. Em entrevista ao site da Fiocruz, o educador enfatizou a importância de termos mais fontes de informações sobre ciência, explicou como a comunicação científica é complexa e pontuou a necessidade de entender conceitos básicos para avaliar os riscos de forma consciente.

“Nas escolas, não há espaço para atividades experimentais crescentes e sucessivas. E, em uma sociedade onde a grande maioria não tem familiaridade com esses conceitos e códigos básicos da ciência, não há como fazer divulgação científica”, afirmou na época.

Diante de um mundo que permanece na batalha contra o negacionismo científico, Candotti esclareceu que “toda experiência científica é uma ação codificada, é uma ação escrita em uma língua própria, uma forma de comunicação que é própria daquela experiência. Há uma pré-teoria escondida atrás dessa experiência”. Na opinião do físico, portanto, a missão de tornar a ciência acessível e compreensível para todos sempre foi um imperativo crucial.

O Museu da Amazônia informou que, em respeito ao falecimento de Ennio Candotti, permanecerá fechado sem data definida para reabertura.





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