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Projeto une pesquisa e extensão universitária para criar “borboletário a céu aberto” em São Paulo – Jornal da USP

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Mapeamento de borboletas e criação de jardim integram o projeto temático Biota da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, e une preservação de espécies e educação ambiental

Por

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Borboleta no Parque Estadual Intervales, em Ribeirão Grande, São Paulo – Foto: Jackson Delphino/Facebook Parque Estadual Intervales

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Você sabia que existem mais de 19 mil espécies de borboletas no mundo? E que elas estão por aqui há mais de 100 milhões de anos? E mais ainda, que elas ganharam asas a partir de uma mudança de hábito das mariposas que passaram a fazer voos diurnos? No Brasil já foram descritas mais de 3,5 mil espécies de borboletas, segundo dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Esse levantamento contribui para a preservação tanto da espécie quanto do habitat, e foi por isso que pesquisadores do Laboratório de Química de Produtos Naturais (LQPN) do Instituto de Química (IQ) da USP e do Laboratório de Borboletas (Labbor) do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) se juntaram e fizeram mapeamento das espécies de borboletas encontradas no Parque Estadual Intervales (PEI), no sul do Estado de São Paulo. 

A ideia surgiu como parte das atividades de extensão do projeto temático Biota/Fapesp (da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), intitulado Dimensions US-Biota São Paulo: Chemically mediated multi-trophic interaction diversity across tropical gradients, e coordenado pelo professor Massuo J. Kato no Instituto de Química da USP. O resultado foi o catálogo de borboletas, disponível on-line gratuitamente neste link e em formato impresso para consulta no centro de visitantes do parque, pôsteres informativos e uma caixa-mostruário de exposição de Lepidoptera (borboletas e mariposas), também localizada no centro de visitantes do PEI, aberto ao público, além da área do jardim. 

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Massuo Kato, Mariana Stanton, da USP, e Leila Shirai, da Unicamp – Foto: Divulgação IQ, Loop Frontiers e Linkedin

Segundo Mariana Alves Stanton, cocriadora do catálogo e pesquisadora de pós-doutorado no IQ, a ideia era realizar um jardim de Lepidoptera no PEI que fosse aberto aos visitantes e que tivesse conteúdo informativo sobre esses insetos e suas interações com suas plantas hospedeiras, acessíveis para o público. Mas ao planejar a realização do jardim, a outra autora do catálogo, Leila Tekuro Shirai, pós-doutora em Biologia e especialista em borboletas pela Unicamp, percebeu que não existia um levantamento completo de espécies de borboletas do PEI, ficando responsável por essa tarefa. 

“Além de ser diretamente relevante para uma escolha adequada de espécies de plantas nativas que ocorrem na região do PEI para o jardim de Lepidoptera, esse levantamento de borboletas é importante para conhecimento e monitoramento da biodiversidade no parque, que faz parte do segundo maior contínuo remanescente de Mata Atlântica no Brasil e é uma área muito importante para a preservação desse bioma”, comenta Mariana. Além disso, ela revela que borboletas são excelentes indicadores ambientais, porque a composição de espécies de borboletas muda com a degradação ambiental. “O ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) utiliza técnicas de coleta e identificação de borboletas similares às usadas neste projeto no seu Programa Monitora (ICMBio-MMA), que avalia o estado de diversas Unidades de Conservação no País”, informa.

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Painéis informativos sobre as borboletas existentes no parque – Foto: Divulgação/PEI

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Escolha do parque

O Parque Estadual Intervales está localizado entre os municípios de Ribeirão Grande, Guapiara, Sete Barras, Eldorado e Iporanga, e possui mais de 42 mil hectares de Mata Atlântica preservada. Segundo Mariana, ele foi escolhido por ser um área muito bem conservada, com floresta primária, e que é essencial para a conservação da biodiversidade desse bioma. Além disso, o PEI é uma das principais áreas onde são realizadas coletas de plantas do gênero Piper sp (da família Piperaceae) e mariposas do gênero Eois sp (família Geometridae), foco do seu projeto de pós-doutorado e dos estudos do projeto temático que buscou entender como a diversidade química dessas plantas influencia a biodiversidade de insetos associados a elas (herbívoros e seus predadores e parasitoides), como uma forma de entender processos que geram biodiversidade em florestas tropicais. 

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Visão aérea do Parque Estadual Intervales – Foto: Jackson Delphino/Facebook PEI

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Há também outros fatores importantes, diz a pesquisadora, apontando dois principais: o parque recebe muitas visitas escolares, com um potencial de disseminação de informação para esse público, e emprega monitores da região que possuem um profundo conhecimento local da fauna e flora nativas, possibilitando a troca de informações e experiências. Além disso, ela lembra que houve a capacitação desses monitores para que fosse incluída a observação de borboletas e mariposas nas trilhas guiadas e no jardim de Lepidoptera do parque. A capacitação também ficou sob a responsabilidade de Leila, que está associada ao Laboratório de Borboletas (Labbor) da Unicamp, sob a direção do professor André Victor Lucci Freitas, co-coordenador do projeto temático Biota/Fapesp. 

Para as pesquisadoras, é essencial o envolvimento da comunidade local ao redor de áreas de importância de conservação ambiental. Segundo Mariana, além de apreender o conhecimento de quem mora na região, motiva a defesa da conservação tanto na população local quanto nos visitantes do parque, e ainda oferece alternativas economicamente viáveis de promover a conservação ambiental, citando como exemplo o turismo ecológico. Outra atividade que envolveu a comunidade local foram as visitas às escolas do município de Ribeirão Grande (onde se localiza o PEI).  

Confira o vídeo mostrando a agregação de borboletas observadas no parque:

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Identificação das borboletas

O projeto teve início em 2016, e a primeira etapa foi a identificação de borboletas. Para isso foram usados tanto os aspectos morfológicos, isto é, a aparência externa, como marcadores, sequenciamento de DNA e filogenia molecular, como explica Massuo Jorge Kato, docente do Departamento de Química Fundamental do IQ e coordenador do LQPN em entrevista para a revista Alquimista. Segundo o professor, ao fazer um sequenciamento em uma parte da borboleta ou mariposa parece ser tudo igual, mas quando se chega na fase molecular aparecem as subespécies. Além disso, o professor comenta que descrever as espécies não é o único objetivo de um levantamento. Com esse material, é possível fazer análises laboratoriais e compreender os hábitos dos insetos e potenciais usos de substâncias encontradas. “Diante de uma coleção, você começa a descrever as moléculas e a atividade biológica”, diz o professor. 

Segundo Mariana, a identificação das borboletas e mariposas é realizada por cientistas especializados nesses grupos – no caso das borboletas ficou a cargo de Leila, e das mariposas, de Simeão M. Moraes (também do IB-Unicamp). “O levantamento de borboletas do PEI foi realizado através de coletas mensais em armadilhas e redes entomológicas ao longo de 2019 para avaliar os padrões sazonais de ocorrência das borboletas e complementado com coletas nas estações de maior ocorrência (primavera e verão) em outros anos, junto com dados de coletas no parque de outros cientistas”, informa Mariana. 

No laboratório, as borboletas são analisadas morfologicamente (avaliando o tamanho, cor e formato de asas e outras estruturas corporais) e comparadas com a informação disponível sobre essas espécies em bases de dados, ou utilizando chaves de identificação de espécies, como explica Mariana. “Elas também foram comparadas com indivíduos de espécies depositadas em museus biológicos identificados por especialistas, como o Museu de Diversidade Biológica da Universidade Estadual de Campinas e o Museu de Zoologia da USP, entre outros, que foram consultados no estudo”, enumera, acrescentando que também coletaram informações sobre as plantas hospedeiras.

“Em alguns casos, como é o caso das mariposas Eois sp, que ainda possuem muitas espécies não descritas pela ciência, além dessa avaliação morfológica pode ser realizado o sequenciamento genético, para comparação com bases de dados científicas a fim de buscar a sua identificação, mas isso deve ser sempre acompanhado de um estudo morfológico dos indivíduos”, complementa.

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Algumas das espécies de borboletas presentes no parque – Foto: digitalcommons.lmu.edu

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Jardim de borboletas

Para a realização do jardim e para atrair as borboletas e mariposas começou-se com o plantio de um grupo de plantas específicas do gênero Piper. “Buscamos utilizar plantas que ocorrem naturalmente no PEI e que sabíamos por observação e por estudos anteriores que serviam de planta hospedeira para as espécies locais de borboletas e mariposas”, afirma Mariana, explicando que um grupo de mariposas específicas, as Eois sp, põem ovos nessas plantas e a lagarta desenvolve todo o ciclo de vida até chegar o momento de empupar (formar a crisálida ou pupa) para passar pela metamorfose e se tornar um adulto (borboleta ou mariposa). “Então, plantamos alguns tipos de plantas desse gênero no jardim, para que os visitantes possam ver as lagartas”, explica.  

“Também incluímos espécies de plantas que produzem flores atrativas para as espécies adultas devido ao seu néctar, perfume e cor, para que o jardim seja uma área que ofereça alimento para os adultos e também para as lagartas”, acrescenta Mariana. Além disso, destaca, foi organizado o plantio dessas plantas em canteiros, de forma a permitir que visitantes do jardim observem essas interações entre as plantas e os insetos de uma forma mais natural.  

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Catálogo educativo sobre borboletas do Parque Estadual Intervales – Foto: Divulgação/PEI

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Resultados do projeto  

Em 2019, todo o levantamento das espécies de borboletas já tinha sido feito, mas a definição dos detalhes do projeto do jardim e a pandemia de covid-19 acabaram atrasando a implementação, que ficou suspensa, como lembra Mariana. “Os materiais de exposição (catálogo, pôsteres informativos e caixa de Lepidoptera), e os resultados do projeto só foram divulgados para os funcionários do parque e para escolas locais, além dos primeiros plantios do jardim acabarem sendo realizados apenas no final de 2021 e início de 2022, após ser iniciada a vacinação contra a covid-19 e com a reabertura de visitação do parque pelas escolas”, informa. 

O artigo sobre as atividades do grupo foi publicado em 2022 em formato open access na revista Cities And The Environment (CATE) – que pauta ecologia em comunidades urbanas. Nele, além do mapeamento das borboletas, foi descrito também o projeto de jardim interativo do PEI, outra estratégia de conscientização sobre unidades de preservação ambiental em ambientes urbanos, “um borboletário a céu aberto, que tem o ciclo completo”, como destacou o professor Massuo Kato. 

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Atividade educativa explica sobre as borboletas no parque – Foto: digitalcommons.lmu.edu

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O catálogo, que está disponível para download gratuito no site,
traz em seu conteúdo informações sobre o PEI, as diferenças entre mariposas e borboletas, mostrando a diversidade de cores e formas das espécies encontradas no parque, além de explicar um pouco mais sobre algumas espécies interessantes e abordar conceitos de biologia ligados às borboletas (como, por exemplo, o dimorfismo sexual e o mimetismo). Também foram disponibilizados para download gratuito os pôsteres informativos que acompanham a caixa de Lepidoptera em exposição permanente no centro de visitantes do PEI.

O mostruário de Lepidoptera, segundo Mariana, foi criado como uma forma de trazer de volta para o parque alguns espécimes coletados durante o projeto de levantamento e permitir sua observação pelos visitantes. “Ele foi criado com o objetivo de destacar a diversidade de cores, formas, tamanhos e hábitos (espécies de locais abertos e locais de mata fechada) das borboletas do parque”, diz a pesquisadora. Informações sobre o mostruário foram divulgadas nas redes sociais do parque e dos laboratórios da USP e Unicamp, e podem ser conferidas clicando aqui

Conservação ambiental

Durante as visitas guiadas, as pessoas são convidadas a caminhar entre os canteiros de plantas que servem de hospedeiras ou de fonte de alimento para os adultos e observarem as lagartas, borboletas e mariposas presentes, diz Mariana, informando que o mostruário de Lepidoptera está localizado próximo à entrada do PEI (Estrada Municipal, km 25, s/nº, zona rural de Ribeirão Grande, em São Paulo), e pode ser visitado durante o horário de funcionamento do parque, diariamente, das 8h às 17h. Mais informações neste link.

Além disso, ela diz que em algumas ocasiões, definidas pelo gestor do PEI Thiago Conforti e baseadas nas necessidades do jardim e do parque, são realizados plantios de mudas no jardim, com a participação dos cientistas do projeto, e abertos ao público. “Normalmente esses plantios são anunciados nas redes sociais do parque (instagram.com/pe.intervales) e da associação de voluntários do parque (instagram.com/amigosparqueintervales)”, informa.

Para além da obtenção de conhecimento científico (catalogação da diversidade de borboletas do parque, conhecimento das interações químicas entre Lepidoptera e suas plantas hospedeiras), um grande motivador dos esforços dos pesquisadores neste projeto de extensão foi a preservação ambiental. “Nós enxergamos a experiência de trabalhar com capacitação e disseminar conhecimento da nossa biodiversidade muito importantes para a conservação da biodiversidade brasileira”, assegura Mariana.





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