Terms & Conditions

We have Recently updated our Terms and Conditions. Please read and accept the terms and conditions in order to access the site

Current Version: 1

Privacy Policy

We have Recently updated our Privacy Policy. Please read and accept the Privacy Policy in order to access the site

Current Version: 1

Paulista - SP

Brasilia - DF

EnglishעִבְרִיתPortuguêsEspañol

“Revista do IEB” faz diagnóstico do Brasil de ontem e de hoje – Jornal da USP

20231124_revista-capa.jpg


A tradição patriarcal se consolidava no mercado de trabalho, que admitia o negro sem mitigar as condições de desigualdade. Era a democracia que procurava manter os elementos do patriarcalismo colonial, tentando assegurar às elites o poder e a docilidade dos trabalhadores.“A democracia proposta por Freyre representava, acima de tudo, a adaptação da segregação típica da sociedade escravista construída no Brasil durante a colonização, e que se estendera até o fim do Império, para o regime republicano”, escreve Zullo.

O projeto de Florestan não poderia estar mais distante disso. Nada de convivência e confraternização entre senhores e escravos, patrões e empregados, dominantes e subalternos, um Estado de harmonia que precisava ser restaurado. Isso era um falseamento da história construído por Freyre, uma tentativa de congelar a descolonização.

“A realidade que ele denunciava era a de uma formação histórica fundamentada na segregação que resistia à mudança com unhas e dentes, o que a cada nova etapa histórica se adaptava com o intuito de autopreservação”, indica o autor.

Para Florestan, classe e raça se aproximam. A segregação racial permeia a vigência do regime de classes no Brasil. Os papéis criados durante o período colonial se desdobraram em uma sociedade de classes racial e socialmente segregada. Se para Freyre a modernização brasileira expressava um desgaste da democracia, que precisava ser restaurada, para Florestan simplesmente nunca houve algo que se assemelhasse à democracia no País. A entrada do Brasil no capitalismo dependente e no regime de classes não teria alterado os fundamentos antissociais de dominação.

“A dimensão escravista do senhor de terras não desapareceu por completo com a emergência do burguês, assim como a mercantilização do trabalhador no regime de classes não rompeu até o fim e até o fundo com o padrão de exploração do trabalho escravo”, escreve Zullo.

Assim, não era a aliança entre proletários e a burguesia “nacional” e “progressista” que deveria estar na pauta dos trabalhadores, conforme propunha a posição nacional-desenvolvimentista em voga na época, mas sim uma revolução em moldes comunistas. E, ao mesmo tempo, era preciso considerar o negro como pedra angular do processo revolucionário. “A revolução brasileira de Florestan necessariamente requeria o aprofundamento da educação popular antirracista, inclusive no intuito de educar o movimento sindical, e a sua integração a uma agenda anti-imperialista, o que fatalmente a levaria a posturas anticapitalistas e democráticas”, pontua o pesquisador.

De volta à revista. Epílogo. Há um Brasil que afirma, enfim, sua complexidade – nas ruas, nas universidades e nos livros. Corações e mentes em disputa, nas diferenças de que somos feitos, como diz o título do Editorial da revista. Diferenças que compõem uma democracia justamente quando são respeitadas de maneira integral, o que significa reconhecer as insuficiências ainda por resolver.

A escritura de uma casa própria na Vila da Vitória segue materialmente a argumentação de Florestan Fernandes, cujas palavras são irmãs dos apontamentos de Amanda e Isabel na defesa de uma formação crítica para os professores. Variações de uma estética pobre, que se detém na importância ruidosa do cotidiano. Estudos brasileiros, sem dúvida.





Source link

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Print
plugins premium WordPress